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Blogumulus by
Roy Tanck and Amanda Fazani

terça-feira, 24 de junho de 2014

A Escrava Isaura e o Vampiro

Muito distante do estilo do outro título da série, apenas as personagens comparecem, somente portando seus nomes e, superficialmente, seus papéis, surgindo um texto tresloucado e bem non sense.

Sem dúvida sobre bom humor e sarcasmo, mas com a mão pesada demais e inundado de piadinhas engraçadinhas, sem muito contexto, bem estapafúrdias a ponto de ofuscarem o brilho de qualquer iniciativa restante.

Falta tanto pé e cabeça que fica difícil de se deixar envolver, parece um exercício de ideias do autor, desconexo, imensamente sem fundamentos, até mesmo para uma ficção.

O resultado soa artificial, meio forçado, enterra até os bons momentos de algum brilho, com uma ou outra boa sacada, ou mesmo a revisão do clássico com a inserção de um elemento bem fantástico.

Sobra bem pouco para aproveitar, mas intriga certo engajamento que gera, talvez pelo texto leve e solto, pela condução meio crônica, ainda que caótica ao extremo, estranho, mas interessante de contatar.

Cheguei ao final
Avaliação : 2

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Dom Casmurro e os Discos Voadores - p.264

Demorou, mas finalmente testemunhamos os ciúmes ou, melhor dizendo, dúvidas, de Bentinho para com sua amada Capitu, um tanto brandos verdade seja dita, porém bem encaixados.

Depois de um considerável período narrativo sobre sua adolescência, a história avança a passos largos, repleta de desenrolares e encontros, engenhosa construção para recebermos os eventos finais.

Por sinal, desfechos cativantes, para capturar os olhos e a alma a cada linha, uma avalanche de explicações e desvendares para ninguém botar defeito, impossível de pausar a leitura sequer por alguns segundos.

Não fossem suficientes, o epílogo nos guarda matreiramente mais surpresas do que poderíamos suspeitar, uma legítima cereja do bolo para mexer com a cabeça no melhor estilo das ficções científicas contemporâneas.

Gênero aprovado, homenagem admirável, a semente plantada nos impele a conhecer os outros títulos da editora, certamente com a expectativa em alta por novas e sacadas versões de clássicos.

Cheguei ao final
Avaliação : 5

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Dom Casmurro e os Discos Voadores

A cativante ambientação nos transporta rapidamente para os ares e cenas de Machado de Assis, em um estilo bem similar, composição bem pensada para reproduzir inclusive formatos e abordagens.

Assistimos outros momentos, plenos de referências à história original, mas com criatividade para rechear novos cantos da trama com informações impensadas pelo ilustre primeiro autor.

Não fossem o título, contracapa, orelhas e sinopses, descaradamente entregando o ouro, passaríamos boa parte livro intrigados, carregados de dúvidas, questionadores da própria atenção e entendimento.

Apenas nos últimos trechos algumas informações ficam às claras, porém sem a ciência dos motores do enredo, restariam muita estranheza e toneladas de curiosidade.

Na atual situação já podemos arriscar algum vislumbre dos caminhos, quais as forças presentes, sem ainda conseguir pescar motivações e papéis, nos restando ansiar por revelações suficientemente surpreendentes para superarem as entregas de bandeja a respeito de Capitu e José Dias, dentre outras.

Cheguei à página 155
Avaliação : 4

terça-feira, 17 de junho de 2014

A Vida Como Ela É... - p.496

Visão particular, universo fictício singular, a coleção de histórias não deixa dúvidas quanto a sua homogeneidade e autoria, expressão única de um grande mestre de nossa cultura.

O poder inegável e impactante de seu texto seduz o leitor, recheia de beleza o prazeroso passeio por suas linhas, ainda que em cenas de tão intensas tragédias.

Nosso contato com esta obra aguça a curiosidade por outros sabidos estilos e passeios de Nelson Rodrigues, por exemplo, como nas crônicas futebolísticas, ou em algum viés menos dramático.

Aguçada crítica à sociedade, impregnada de juízos de valor e observâncias dos usos e costumes de um passado recente, em tempos atuais talvez o livro melhor ficasse se rebatizado para "a vida como ela fora".

Cheguei ao final
Avaliação : 4

domingo, 15 de junho de 2014

A Vida Como Ela É... - p.379

Pouco mudou o ritmo e o jeitão dos contos, algo até admirável na coerência do conjunto escolhido, mas certamente não muito palatável lido em sequência, de uma levada só.

Certamente era melhor de apreciar quando publicado em sua época, periodicamente, devia dar tempo de assentar, digerir e curtir, deixando até alguma ansiedade pela próxima publicação.

Em um ou dois casos do conjunto nos surpreendemos com novas soluções e sacadas inusitadas, pontos de vista para colecionar e, quem sabe, utilizar de contrapeso em vindoura encruzilhada pela vida.

Por vezes meio salomônico, continuamos também impressionados com a leveza do tratamento, apesar das nuvens e sombras que continuamente perseguem as cenas e as personagens, a ponto de chegarem a culminar em legítimas tragédias.

Cheguei à página 379
Avaliação : 4

quinta-feira, 12 de junho de 2014

A Vida Como Ela É... - p.252

Impossível não ser tragado pelo universo ficcional dos contos, de repente nos pegamos imersos em seus ambientes, espectadores no canto da cena, observadores onipresentes.

As tramas variam pouco, a maioria gira em torno de traições com desfechos dos mais impensáveis, por vezes até com certo humor negro ou lógica inesperada.

A bem da verdade, a tendência causa mesmo monotonia, acaso o número de contos fosse menor, seu impacto e sua mensagem deixariam melhores impressões.

Com seu ângulo de visão tão específico, tão tendencioso, o autor nega outras possibilidades, recorta um pequeno extrato de como a tal é, capaz de deixar de apreciar todo seu ser.

Cheguei à página 252
Avaliação : 4

quarta-feira, 11 de junho de 2014

A Vida Como Ela É...

Levada em conta a ficção, considerada a raridade das condições situacionais, ainda assim impressiona a plausibilidade apresentada nos enredos construídos pelo autor.

Desde o primeiro texto, nas primeiras linhas, os rumos assumidos pelos contos capturam nossa atenção e nos colocam em alerta, reflexivos, questionadores dos meandros da alma.

Ressalta-se também a consistência, a densidade, em todas as histórias até aqui, no estilo e no tema, traço inconfundível e autoral, presente sem requerer protagonismo, subliminar, para apreciar com mais atenção.

Notamos também os reflexos de outra época, presentes em palavras, expressões, costumes, um retrato da sociedade em outros tempos, outros valores, mas registro de impulsos e motivações atemporais.

Apreciação a cada página, por vezes meio chocante com os acasos e descasos da vida pintada, perseguimos o entendimento se ela assim realmente ou é, ou não...

Cheguei à página 127
Avaliação : 5