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Blogumulus by
Roy Tanck and Amanda Fazani

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Belènzinho, 1910

Ao optar por entrelaçar sua própria história com a narrativa do livro, o autor enraíza os cenários retratados em tons bem pessoais sem deixar de lado o rigor da pesquisa documental.

Construído com maestria, o enredo passa por consideráveis terras vizinhas, algumas até bem distantes, para desaguar cheio de expectativas no tema da obra.

Banhados por uma enxurrada de referências e nomes conhecidos em tempos atuais, sonhamos aquele passado com imagens nítidas de um filme familiar, como aqueles guardados em super-8 nos armários da família.

Formação do povo, memórias das igrejas e fábricas, as vizinhanças e seu convívio, sentimos com se nosso próprio avô contasse fatos à mesa do Domingo.

O primor se nota pelo cuidado em apresentar os temas, como quando para falar das antigas e onipresentes vidraçarias, Jacob nos presenteia com o relato da origem milenar do vidro.

Passeio mágico por tempos remotos, aos conterrâneos do nosso presente (o texto data dos anos 60), um memorial imperdível, aos leitores de outras paragens, um convite para uma visita a experimentar seus centenários ares.

Ah... Belenzinho!

Cheguei à página 108
Avaliação : 5

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A poesia completa de Álvaro de Campos - p.160

Talvez sejam as maiores extensões de então, quem sabe a falta de novidade, ou por acaso o estilo de outrora, mas a leitura perdeu parte de seu ímpeto, possivelmente outro dos males dos compêndios do gênero.

A expressão do autor continua lá, existencial, sombria, sem resposta do começo ao fim, marcante e pesada em cada linha tecida e cuidadosamente refletida.

Chegamos às últimas páginas no mesmo ritmo, sem surpresas, sem cerimônias, com o objetivo atingido, levemente mais próximos (ou íntimos) do cancioneiro do poeta e seus pensamentos.

Seja como for, vale a experiência, quem sabe melhor em próxima visita, mais concentrada e atenta, menos inocente dos caminhos a percorrer, mas certamente ainda incauta e irresoluta no encontrar dos porquês.

Cheguei ao final
Avaliação : 3

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A poesia completa de Álvaro de Campos

Sem muita cerimônia, nem apresentações, aportamos logo de cara com a densa poesia, em seu estilo sem frescuras, sem versinhos, mas repleta de ritmo e provocação.

Os textos ordenados alfabeticamente por seus títulos (escolha enciclopédica do organizador) variam em sua extensão e tema ao sabor do vento, sem nunca deixar de nos deslocar, nos tirar um pouco do centro.

Nem todos geniais, mas alguns luminosos, deslumbrantes, uma coletânea de obra completa proporciona esse panorama amplo, bom para revelar a humanidade do gênio.

Ao apreciar suas linhas, em cada pincelada do autor, sentimos a urgência pelo entendimento da existência e nos irmanamos em tal busca descomunal.

O levar de emoções e reflexões intenso parece com fôlego para nos conduzir até o final neste carrossel desafiador e delicioso, uma humilde tentativa nossa de aprendizado e compreensão do célebre poeta português.

Cheguei à página 78
Avaliação : 4

Esperando Godot - p.240

Agitada monotonia, o desenrolar do enredo nos captura misteriosamente, sem dar pistas dos motivos, das razões, apenas permanecemos expectadores, na expectativa.

Em verdadeiro purgatório, os protagonistas se encontram enroscados, em diversos nós, em engenhosas trocas de diálogos e ideias, um labirinto psicológico.

Rico em detalhes e orientações, o texto permanentemente constrói cenas claras em nossa imaginação, legítimo espetáculo da linguagem escrita, cheio de luz e recheio.

O livro ainda traz ao final um bom número de artigos sobre o autor e a obra, um ótimo bônus para contextualização e ilustração de incautos leitores.

Para aqueles desejosos por mais (ou atiçados pela descoberta), sugestões interessantes para leituras posteriores nas últimas páginas.

Finda a experiência, mal entendemos os motivos da saborosa recompensa da empreitada, meio desnorteados com o impacto das imagens, somente lamentamos sermos vítimas da mesma incerta espera por algo certamente vindouro um dia.

Cheguei ao final
Avaliação : 4

sábado, 17 de agosto de 2013

Esperando Godot

Quando esperar é tudo que se pode fazer, muito pode acontecer, ou ao menos imaginar, como fez o autor, envolvente e instigante desde o início.

Aos poucos nos ambientamos agradavelmente, simpatizamos, repudiamos, torcemos por este ou aquele, nós também a espera.

Detalhado e minuciosamente descrito, o texto nos proporciona interessantes imagens das cenas, nos sentimos sentados em meio a plateia, a apreciar.

Relações e enredo ainda nebulosos nesta altura, esperamos e ansiamos pelos rumos a tomar desta paciente e movimentada espera.

Cheguei à página 84
Avaliação : 4

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Elogio da Loucura - p.138

Louca com somente a Loucura pode ser, não poupa acidez a ninguém, nem os mais bem estabelecidos pilares da religião de sua época, ou melhor, seus representantes e seu poder.

Claramente o autor destilou extensa e aprofundada observação em comentários espirituosos encarnados por aquela doce senhora, tão ciosa de seu papel no cotidiano.

Daqueles difíceis de negar, mesmo a contragosto, seu texto encurrala argumentos e defesas, ressalta nosso reflexo em frente ao espelho da realidade, ainda que uma realidade insana.

Longe da demência, a Loucura do elogio ressalta e reconhece a imperfeição de nosso ser, ainda que teimemos em aceitar e assumir essa deliciosa e essencial inconsistência.

Além de contatarmos um clássico do pensamento, podemos perceber em seus parágrafos a inspiração de outros tantos descendentes, nos mais diversos estilos literários e correntes de pensamento.

Cheguei ao final
Avaliação : 4

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Elogio da Loucura

Consciente e direta, a Loucura se apresenta, por si mesma, com suas próprias palavras, sem papas na língua ou temores, para mostrar de cara para que veio.

Discorre sobre sua genealogia, sua presença na vida cotidiana e sua importância na doce insanidade da existência humana, nos mais diversos aspectos.

Meio jocoso, quase petulante, Erasmo escolhe um estilo e abordagem provocante, nos conduz ao questionamento de forma leve, além de deixar grande margem para o aprofundamento.

A presente tradução recebe bem seus leitores, orienta e documenta, faz seus adendos, derrama inúmeras referências em notas de rodapé, auxilia enormemente o aproveitamento da obra.

Divertido em suas linhas, depois de ambientados ao livro não vislumbramos grandes surpresas pelo caminho, mas certamente inspirados momentos de leitura e devaneio (assim como a pouco, em meio ao tumulto do horário de pico do Metrô paulistano).

Cheguei à página 73
Avaliação : 4