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Blogumulus by
Roy Tanck and Amanda Fazani

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Bichos-papões anônimos

Surreal a beirar à realidade, os contos transmutam histórias fantásticas em reflexos da nossa psicologia na superfície do lago da vida.

Contrariar a própria natureza em busca de adequação, triste sina do bicho-papão protagonista, refém das tentativas racionais de se controlar.

Misógino a tentar torcer as pessoas para adequá-las às suas idiossincrasias (o químico do segundo enredo), proximidade perigosa de universos, restando apenas definir o perigo para quem.

Duas histórias magistralmente engendradas, brotos de visão sagaz e alternativa, jeitos divertidos de discutir certas mazelas humanas, por vezes com toques bem ásperos.

Texto agradável com ritmo prazeroso, mesmo em meio a asquerosas cenas nos pegamos distraídos, levados, sem nos notarmos os caminhos por onde enveredamos.

Divertida e instigante leitura, boa para sugerir e aguçar novas investidas na obra de Bruckner, sentimos apenas por sua brevidade, daquelas de deixar a vontade aguada.

Cheguei ao final
Avaliação : 4

terça-feira, 23 de abril de 2013

Amor Líquido - p.190

Amor ao próximo, próxima parada para entendimento das bases da sociabilidade, implicações, dependências e valores na estrutura das relações humanas.

Do local, particular, regional para o mundo, o autor expõe e identifica nas expansões da sociedade, na globalização, as causas e agruras da liquidificação da vida.

Apesar de inúmeros apontamentos, da revelação de situações, da denúncia de problemas, Zygmunt pouco propõe de soluções, ou talvez não deseje fazê-lo, mas deixa pendente maior contribuição além da exposição.

Nos movimentos finais, em significativo volume de páginas, deságua em discussões sobre a segregação social até questões importantes sobre refugiados, com ênfase destoante em assuntos tratados anteriormente, torna tal ímpeto difícil de compreender.

Ideias e alertas relevantes subiram à tona, muitas reflexões insufladas pelo caminho, porém o amor e as relações pintaram apenas o cenário, talvez outros elementos os substituíssem sem causar grande nota.

Frustração inevitável gerada por possível estilo prolixo, as relevantes pontuações do livro mereceriam um tratamento mais objetivo, bem acabado e assertivo, capaz de provocar os cruciais despertares no gênero humano, tão frágil nos atuais tempos líquidos.

Cheguei ao final
Avaliação : 3

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Amor Líquido

Contrapondo líquido com sólido, configuração da consistência de algo, o autor expõe os princípios gerais de suas ideias sobre a liquidez da modernidade.

Equipara o amor à morte, assim com seu oposto o nascimento, para ajustar o grau de permanência do sentimento e relativizar com a pretensa perenidade atual.

A velocidade e fluidez da vida, assumidas em meio a grande ilusão, gerarão imenso conflito e ansiedade, alimentos para os grandes males da nossa vida contemporânea.

Acertadas as bases conceituais, partimos para a análise da sociabilidade neste contexto, com foco considerável nos aspectos sexuais do homo sapiens.

Discussão deveras solta, exposição de ideias entrecortadas, parágrafos longos sem liga suficiente, difícil captar as posições e opiniões do autor, isso se realmente ele está interessado em fazê-lo.

Interessante a utilização do celular (SMS e chamadas) e navegação na Internet para ilustrar a volatilidade e suas consequências... Imagina só se fosse pautado atualmente em smartphones, 3G e redes sociais!

Sementes instigantes lançadas, tomara que os cuidados com o cultivo completem seu potencial nas páginas por vir... Aguardemos.

Cheguei à página 76
Avaliação : 4

quarta-feira, 17 de abril de 2013

1984 - p.416

Destino ingrato, como não ceder às forças imensas do movimento dominante, não sucumbir à cruelmente imposta doutrina da situação?

Winston se rendeu, foi rendido ou acaso realmente se converteu? As incontáveis camadas de sua consciência deixam mais dúvidas do que certezas...

Difícil aceitar tal inevitabilidade da pequenez humana, da falta de tenacidade, altruísmo ou mesmo heroísmo, ao menos para os sonhadores de vôos maiores, Ícaros em busca de sol.

Ao final do texto, Orwell ainda se preocupa com um tratado sobre linguística da Novafala, curiosa necessidade de jogar foco nos meandros das intrincadas ideias envolvendo a expressão e o pensamento.

Nesta edição, no apagar de luzes do livro, recebemos três posfácios interesses, análises em diversos momentos do impacto e importância do texto, em parte a corroborar impressões e repassar algumas visões.

O primeiro e o terceiro bem quadradinhos, um bem próximo da publicação da história, sendo assim envolto e sensível ao contexto da época, reflete sobre as influências culturais sofridas e previsões propagadas, o outro um relato meio biográfico.

Já o segundo, pouco posterior ao fatídico ano de 1984, uma lúcida avaliação da obra literária em sua estrutura, acompanhada do destaque de pontos ideológicos bem contextualizados.

Entretenimento garantido, com bom nível de elaboração, mais do que criar metáforas para sistemas existentes no passado, ou passíveis de críticas do autor, a obra nos conduz à apreciação de imagens dos ímpetos e desejos da condição humana.

Cheguei ao final
Avaliação : 4

terça-feira, 16 de abril de 2013

1984 - p.334

Descobrir as teias da realidade, penetrar os meandros do universo artificial elaborado pelo Partido, meios para a incursão de Winstom num vórtice frenético.

Do céu ao inferno, nosso protagonista mal pode desfrutar as benesses de um pouco mais de conhecimento e se depara com as estruturas mais rudes de sua sociedade.

Papeis desvendados, armadilhas identificadas, elementos para compor uma trama inimaginável, outro pesado fardo para a carga do já massacrado personagem.

Os diálogos insanos, como toda a situação proposta, remetem a insanidade de nosso cotidiano em extrapolação, como uma piada com nossas pequenas loucuras diárias.

Até mesmo os mecanismos repressivos guardam paralelo com torturas singelas do dia a dia, jogos de palavras e ideias para confrontar certezas e pontos de vista.

Vejamos se e como sobreviverá esta alma revolta e independente, deslocada em seu contexto e a procura de algum lugar para conforto...

Cheguei à página 334
Avaliação : 4

sábado, 13 de abril de 2013

Tudo Sobre Fotografia - p.207

Dos primórdios, da pré-história, em caminho para tempos mais modernos observamos a popularização da arte, com as discussões inerentes à sua entrada no cotidiano.

Aliás, embates a respeito da dicotomia arte e técnica, ferramenta ou expressão, conflitos comuns às novidades e desafios ao status quo.

Ritmo impressionante da evolução e adoção do registro de imagens, os apegos à memória parecem influenciar tremendamente o homo sapiens, atraem sua atenção em seus empreendimentos.

Registros pictóricos também viraram negócio, a intimidade provê mil faces para a nova área do conhecimento humano, extrapola seus movimentos inicias e conquista muitas outras funções.

Deixadas as tecnologias em segundo plano, em tempos mais modernos apreciamos os diversos movimentos de expressão, correntes de visões e manifestações culturais, gravados em papel e química.

Mundo vasto, passeio longo, mas sempre bem ilustrado e delicioso de acompanhar, repleto de análise assertivas, um prato cheio para os aficionados!

Cheguei à página 207
Avaliação : 5

sexta-feira, 12 de abril de 2013

1984 - p.213

Tamanha vigilância, tantos olhos em tantos cantos, qualquer movimento cotidiano se transforma em ato pesado, sofrível, temível, cheio de precauções.

Encontrar alguém para dividir opiniões, alguém do mesmo lado, traz certa paz, novos ares, mas um pouco mais de peso com as preocupações.

Winston começa a subverter, vislumbrar novas possibilidades e aventar caminhos plausíveis, para algum destino diferente, ao menos nos explorar de ideias e sabores.

Curiosamente as recentes revelações ensinam um pouco do recheio de sua sociedade, apresentam indícios de quantas aparências acaso contribuem para a construção de seu simulacro, tecem uma película sobre a realidade.

Tudo indica que o protagonista tateia uma escolha sem volta, daquelas para toda vida, repleta de realização.

Cheguei à página 213
Avaliação : 4