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Blogumulus by
Roy Tanck and Amanda Fazani

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Esperando Godot - p.240

Agitada monotonia, o desenrolar do enredo nos captura misteriosamente, sem dar pistas dos motivos, das razões, apenas permanecemos expectadores, na expectativa.

Em verdadeiro purgatório, os protagonistas se encontram enroscados, em diversos nós, em engenhosas trocas de diálogos e ideias, um labirinto psicológico.

Rico em detalhes e orientações, o texto permanentemente constrói cenas claras em nossa imaginação, legítimo espetáculo da linguagem escrita, cheio de luz e recheio.

O livro ainda traz ao final um bom número de artigos sobre o autor e a obra, um ótimo bônus para contextualização e ilustração de incautos leitores.

Para aqueles desejosos por mais (ou atiçados pela descoberta), sugestões interessantes para leituras posteriores nas últimas páginas.

Finda a experiência, mal entendemos os motivos da saborosa recompensa da empreitada, meio desnorteados com o impacto das imagens, somente lamentamos sermos vítimas da mesma incerta espera por algo certamente vindouro um dia.

Cheguei ao final
Avaliação : 4

sábado, 17 de agosto de 2013

Esperando Godot

Quando esperar é tudo que se pode fazer, muito pode acontecer, ou ao menos imaginar, como fez o autor, envolvente e instigante desde o início.

Aos poucos nos ambientamos agradavelmente, simpatizamos, repudiamos, torcemos por este ou aquele, nós também a espera.

Detalhado e minuciosamente descrito, o texto nos proporciona interessantes imagens das cenas, nos sentimos sentados em meio a plateia, a apreciar.

Relações e enredo ainda nebulosos nesta altura, esperamos e ansiamos pelos rumos a tomar desta paciente e movimentada espera.

Cheguei à página 84
Avaliação : 4

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Elogio da Loucura - p.138

Louca com somente a Loucura pode ser, não poupa acidez a ninguém, nem os mais bem estabelecidos pilares da religião de sua época, ou melhor, seus representantes e seu poder.

Claramente o autor destilou extensa e aprofundada observação em comentários espirituosos encarnados por aquela doce senhora, tão ciosa de seu papel no cotidiano.

Daqueles difíceis de negar, mesmo a contragosto, seu texto encurrala argumentos e defesas, ressalta nosso reflexo em frente ao espelho da realidade, ainda que uma realidade insana.

Longe da demência, a Loucura do elogio ressalta e reconhece a imperfeição de nosso ser, ainda que teimemos em aceitar e assumir essa deliciosa e essencial inconsistência.

Além de contatarmos um clássico do pensamento, podemos perceber em seus parágrafos a inspiração de outros tantos descendentes, nos mais diversos estilos literários e correntes de pensamento.

Cheguei ao final
Avaliação : 4

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Elogio da Loucura

Consciente e direta, a Loucura se apresenta, por si mesma, com suas próprias palavras, sem papas na língua ou temores, para mostrar de cara para que veio.

Discorre sobre sua genealogia, sua presença na vida cotidiana e sua importância na doce insanidade da existência humana, nos mais diversos aspectos.

Meio jocoso, quase petulante, Erasmo escolhe um estilo e abordagem provocante, nos conduz ao questionamento de forma leve, além de deixar grande margem para o aprofundamento.

A presente tradução recebe bem seus leitores, orienta e documenta, faz seus adendos, derrama inúmeras referências em notas de rodapé, auxilia enormemente o aproveitamento da obra.

Divertido em suas linhas, depois de ambientados ao livro não vislumbramos grandes surpresas pelo caminho, mas certamente inspirados momentos de leitura e devaneio (assim como a pouco, em meio ao tumulto do horário de pico do Metrô paulistano).

Cheguei à página 73
Avaliação : 4

terça-feira, 30 de julho de 2013

Navegar é preciso

Verso, prosa, poesia ou ensaio, seja qual for a forma escolhida podemos encontrar um belo extrato do perfil de Fernando Pessoa no livro.

Mesmo sem sermos especialistas no autor, podemos notar a abrangência relevante dos textos selecionados, além de apreciar todas as nuances de suas facetas.

Verdadeiro passeio, com estilos para todos os gostos, navegamos pelo complexo mar do universo do pensador acompanhados de lampejos de suas ideias e reflexões.

Com linhas mais célebres, outras mais desconhecidas, avistamos o chamado para novas pesquisas, estudos mais focados ou mais próximos de nossas preferências.

Sempre comentado e bem dividido, o compêndio cumpre sua promessa, nos oferece breve e rica excursão pela obra do escritor, excelente introdução para não iniciados ou, no mínimo, curiosos pelo grande pilar da literatura mundial.

Cheguei ao final
Avaliação : 4

quarta-feira, 24 de julho de 2013

A Revolta de Atlas (volume 3) - p.495

Talvez seja a época da autora, talvez seja a necessidade da trama, mas assistimos um longo e redundante discurso de John Galt, desafio para a paciência e determinação de qualquer leitor.

Em seguida, com a declaração aberta do confronto, um frenético thriller de conclusão, com considerável ação e conflito, ligeiramente destoante com o cuidado nas descrições de outros trechos.

A própria reação final da protagonista causa certa estranheza, soa incompatível, destoa de sua jornada, ainda que pareça condizente com as necessidades do desfecho do enredo.

Queixas à parte, possivelmente os incômodos sejam intencionais, denotação mais intensa das mazelas sofridas, realce do imenso peso suportado por tantos Atlas.

Com o devido empenho e persistência o prêmio final compensa, apesar de certamente muitos ficarem pelo caminho, desanimados pela dureza da jornada.

Extrapolações consideradas, exageros e extremos relevados, imperfeições e radicalismos perdoados, a grande mensagem da obra crava marcas, esculpi indelével reflexão, daquelas para carregarmos para sempre, um marco em nossa posição com a realidade e sua apreciação.

Cheguei ao final
Avaliação : 4

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A Revolta de Atlas (volume 3) - p.320

Desbarrancar generalizado, o fio puxado do emaranhado da estrutura social rasga cada centímetro do cotidiano, destruição irreparável e avassaladora impossível de controle pelos saqueadores.

O penúltimo pilar de resistência moral caiu, nos resta apenas apostar sobre quanta força ainda permanece no último.

Começamos a perceber a importância das descrições alongadas, os embates continuados, um tanto monótonos, a nos conscientizar que grande parte da inocência coube a nós.

A intensa sucessão de desventuras ganha sentido, além de destacar a habilidade da autora em tecer tamanho emaranhado de interações e consequência.

Depois de considerável convivência com a obra, quem sabe pela maior intimidade com suas letras, passamos a encará-la com outros olhos, nos afeiçoar, legítimo retorno ao entusiasmo dos primeiros contatos.

Cheguei à página 320
Avaliação : 4